quinta-feira, 9 de julho de 2015

Desfile em Presidente Prudente reúne familiares de ex-combatentes

Evento reuniu militares e foi realizado na manhã desta quinta-feira (9). 
Tiro de Guerra e banda da Polícia Militar participaram do evento.

Stephanie FonsecaDo G1 Presidente Prudente
Desfile começou por volta das 9h (Foto: Stephanie Fonseca/G1)Desfile começou por volta das 9h (Foto: Stephanie Fonseca/G1)







A Avenida Coronel José Soares Marcondes, em Presidente Prudente, recebeu aproximadamente 2 mil pessoas, entre militares, familiares de ex-combatentes do Oeste Paulista e população na manhã desta quinta-feira (9) durante o desfile que relembra a Revolução Constitucionalista de 32. O evento contou com a apresentação de hinos, o relato da história, a condecoração de policiais atuantes na região e desfile.
Integrantes do Tiro de Guerra, grupo de escoteiros Guayporé e Monte Carmelo, integrantes da Ordem Demolay, participação do Coral de Servidores Municipais, da Banda Regimental de Musica (BRM) do Co mando de Policiamento do Interior (CPI-8) e demais autoridades civis e militares também participaram.
Cristina foi com a família prestigiar o evento (Foto: Stephanie Fonseca / G1)Cristina foi com a família prestigiar o evento (Foto:
Stephanie Fonseca / G1)
Além da data "importante que marca a história do Estado”, a professora Nildete de Arruda, de 38 anos, relatou que foi até a Praça Nove de Julho para prestigiar, ainda, o sobrinho que ingressou na carreira militar recentemente.
Já a comerciária Cristina Mizukava, de 39 anos, aproveitou o feriado para ir com a família prestigiar a solenidade. "Viemos homenagear os combatentes. Faz parte da história do Estado e é importante que as crianças saibam desde pequenas [do fato e sua importância]", disse.
Homenagens
Entre os familiares de ex-combatentes estava a secretária de Educação, Ondina Barbosa Gerbasi, sobrinha de Anacleto Barbosa. Ela conta que “o tio contava os momentos que foram de preocupação e temor. Eles ficavam nas trincheiras sempre alertas e vendo as vezes o companheiro tombar”. “O que mais marcou, além do fato em si, é o exemplo de cumprir um dever e lutar pela constituição do Estado de São Paulo e realmente exercer a cidadania”, disse.
Como educadora, Ondina coloca que a história e o culto aos valores representados pelas pessoas que lutaram “é fundamental para que se preserve os valores de cidadania e a memória paulistas”. “Os nossos jovens e crianças precisam de exemplos e modelos, saber porque é importante lutar para conservar a comunidade que é composta por todos. O fato de mostrar o respeito às memórias dos ex-combatentes é marcante, porque você transporta para a realidade atual da criança”, explicou a secretária.
Cabo Claro foi apadrinhado pela mãe, Tereza (Foto: Stephanie Fonseca / G1)Cabo Claro foi apadrinhado pela mãe, Tereza (Foto:
Stephanie Fonseca / G1)
Na ocasião também foram entregues medalhas de valor militar a policiais militares para patentear os bons serviços prestados por eles à Instituição. Um dos condecorados é o cabo da PM Samuel Claro, que foi apadrinhado pela mãe, Tereza Arlindo do Nascimento Claro. Aos 67 anos, ela conta que foi "uma honra" participar da solenidade e homenagear o filho. "Tive três filhos policiais. Sempre apoiei, pois vale a pena lutar pela humanidade com honra e garra", disse Tereza ao G1.
Já o cabo, que faz parte da PM há cerca de 14 anos, coloca que esta foi "mais uma homenagem para o pai, enterrado há cerca de dois anos". "Este foi um dos motivos para escolher minha mãe como madrinha", explicou o cabo. O fato para ele foi “emocionante pelo reconhecimento do serviço prestado e, principalmente, pela falta do pai”.
História
Conforme o comandante do CPI-8, coronel PM Francisco Batista Leopoldo Junior,  “[Presidente] Prudente e região contribuiu com um batalhão de voluntários. Mais de 1 mil homens se engajaram na defesa desses ideais de 1932”. Ele ainda pontua que a cidade homenageia diversos combatentes como o tenente Nicolau Maffei; Casimiro Dias; comandante do batalhão coronel Brizolla, que deu nome ao Parque de Uso Múltiplo (PUM); e a Praça Nove de Julho, que é a data de início da revolução de 32”
O 9 de Julho é a data “magna” do Estado de São Paulo, conforme o coronel, “foi um evento marcante para a sociedade paulista que se mobilizou toda em busca de um ideal”. “A importância da revolução constitucionalista não é o resultado dos campos de batalha, mas sim o legado dela, a mobilização da sociedade pelo ideal de redemocratização, de constitucionalização, de direito", disse o coronel.

"Embora derrotado nos campos de batalha, a vitória veio com a constituição de 1934, que trouxe avanços significativos na área trabalhista, primeira a prever o voto das mulheres, voto secreto, enfim, avanços que temos a oportunidade de homenagear”, completou.
Em 1930, um ano depois da crise do café, Getúlio Vargas assumiu o país. No governo provisório, o presidente nomeou interventores para governar São Paulo. Contrariados, os grandes fazendeiros de café, começaram a organizar um movimento no Estado para derrubar Vargas e pedir uma nova constituição no país.
A revolução de 32 teve duração três meses. Neste período 135 mil homens participaram da batalha. Do lado paulista, 850 soldados perderam a vida. O estudante Orlando de Oliveira Alvarenga, também ficou ferido no ataque durante o ataque que matou os quatro jovens. Ele ficou internado e morreu no final da revolução. Por esse motivo, não teve seu nome associado ao movimento.

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