Correio do Estado
Foto: Divulgação

Após anos de monopólio da Petrobras, cinco concessionárias de
distribuição de gás natural canalizado – entre elas, a MSGás – que atuam nas
regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, todas atendidas pelo mesmo
gasoduto de transporte (Bolívia-Brasil), vão comprar diretamente 10 milhões de
metros cúbicos do produto boliviano. Hoje será lançado edital de chamada
internacional para o fornecimento da bioenergia por meio do gasoduto. O
objetivo das empresas é buscar condições de mercado mais competitivas e diversificação
das fontes supridoras. As empresas participantes são: Companhia Paranaense de
Gás (Compagas); Gasbrasiliano Distribuidora (Gasbrasiliano); Companhia de Gás
do Estado de Mato Grosso do Sul (MSGás); Companhia de Gás de Santa Catarina
(SCGás); e a Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás).
O assunto foi tratado em reunião realizada na quarta-feira entre
o governo do Estado, os ministros bolivianos Milton Claros (Obras Públicas) e
Luis Alberto Sánchez, (Hidrocarburos), Oscar Barriga, presidente da YPFB
(estatal boliviana responsável pelo gás natural), e Clarens Endara
(vice-ministro de Comércio Exterior), além dos empresários envolvidos nas
operações.
Segundo o governador Reinaldo Azambuja, são demandas para
atender compradores do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e interior de
São Paulo. “O governo convidou a YPFB a participar, pois é fundamental para o
nosso Estado que esse gás passe por aqui. Além disso, também queremos negociar
o fornecimento de gás para Corumbá, por meio de um ramal que está fora do
Gasbol, tanto para a termelétrica já instalada no município quanto para as
indústrias da região”, completou o secretário de Produção, Jaime Verruck.
No dia 16, equipe do governo do Estado e empresários participam
de reunião na Bolívia para dar sequência às tratativas para o fornecimento de
gás boliviano.
Iniciativa
Com volume total de aquisição de aproximadamente 10 milhões de
m3/dia, a iniciativa visa encontrar novos agentes interessados na oferta do gás
natural que atendam às expectativas do mercado. Com o início do suprimento
podendo ocorrer a partir de 2020, a iniciativa foi tomada após a elaboração de
estudos específicos que indicaram a oportunidade de formatação conjunta de um
edital e termo de referência para este fim. Juntas, as cinco distribuidoras
atendem mais de 134 mil consumidores de gás natural e têm mais de 4,4 mil
quilômetros de redes de distribuição em 161 municípios.
A chamada pública e respectivos editais estarão disponibilizados
nos sites de cada distribuidora a partir de hoje. Em decorrência da
especificidade de cada distribuidora em relação a volumes e pontos de entrega,
os editais são individualizados por companhia, porém, todas as demais
informações durante o processo serão tratadas de forma coordenada entre as
cinco concessionárias.
“É um grande passo para o setor de gás, que dará uma grande
movimentada neste mercado”, salientou o secretário. Ele destaca que hoje a
Petrobras compra cerca de 30 milhões de m3, mas é porque o período é de
amplo funcionamento das termelétricas; contudo, já esteve abaixo de 20 milhões
de metros cúbicos. “O fechamento deste acordo de compra das distribuidoras é
excelente para o governo, uma vez que a Petrobras já havia sinalizado que
deverá reduzir sua compra do gás, na concessão que termina no próximo ano”,
adiantou Verruck.
Ele ressaltou ainda que o grupo russo Acron, que adquiriu a
UFN-3, está em tratativas para compra de 2,3 milhões de metros cúbicos para
atender a fábrica de fertilizantes. “Além disso, o governo negocia comprar 1,3
milhão de m3 para a termoelétrica de Ladário, visando à implantação de um polo
minero-siderúrgico na região”, finalizou.
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