Governo do Paraná reduz burocracia para pequenos piscicultores
Postado por Lourival S. Bortolin

Frigorífico da APTR - Associação dos Piscicultores em Tanques Rede do Paraná, em Cornélio Procópio. Fazenda de criação de André Luciano Tostes. Criação de Tilápias que variam de 1,5 a 1,2kg, em tanques de rede.Cornélio Procópio Foto: Arnaldo Alves
Pequenos piscicultores estão dispensados de
licenciamento ambiental, o que deve melhorar a produção no Estado, facilitar
acesso a linhas de financiamento e estimular a atividade. Em cumprimento à
orientação do governador Beto Richa, resolução assinada quinta-feira (11) pelo
secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida,
amplia a dispensa para áreas inferiores a dois hectares ou 20 mil metros
quadrados e produção anual de pescado inferior a 5 mil quilos por ano.
A produção também deve estar fora de áreas de
preservação permanente (APPs) e o produtor deve ter inscrição no Cadastro
Ambiental Rural (CAR). A dispensa de licenciamento é aplicável às atividades de
piscicultura que disponham de mecanismos de proteção, que evitem a fuga de
espécies exóticas, e que não promovam o lançamento de efluentes líquidos ou
sedimentos de fundo diretamente nos rios.
Cheida explicou que a medida deve aumentar os
incentivos à piscicultura, dar mais agilidade para a produção e para o
atendimento aos produtores de baixa renda. "A piscicultura movimenta a economia
dos municípios, cria empregos e renda", enfatiza Cheida. A resolução SEMA
023/2013 altera a 051/2009, que dispensava de licenciamento apenas viveiros de
até 10 mil metros quadrados.
PRODUÇÃO - No Paraná, a criação de peixes é feita
em tanques-rede e em tanques escavados. Os tanques escavados geralmente são
construídos com máquinas de terraplenagem em locais com boa disponibilidade de
água. Já os tanques-rede são estruturas flutuantes confeccionadas com tela,
instaladas em reservatórios, açudes ou rios. As regiões Oeste e Norte do Paraná
são pioneiras no país na produção de peixes, nas duas técnicas.
Dados da Emater informam que a produção de peixes
em viveiro escavado no Paraná é de 22 mil toneladas por ano, cultivados por 22
mil piscicultores, em área de 9.500 hectares em de tanques em todo o Paraná. Já
a produção em tanques-rede é de 18 mil toneladas por ano.
"Com esta iniciativa do Governo do Estado, vamos
chegar a 44 mil toneladas ano de peixes produzidos apenas em tanques escavados",
afirmou o engenheiro de pesca, Luiz de Souza Viana, coordenador técnico do
Ministério da Pesca e Aquicultura no Paraná.
REPERCUSSÃO - André Luciano Júnior, presidente da
Associação de Piscicultores em Tanques-Rede do Paraná, acredita que a medida
será um grande incentivo para a atividade. "A burocracia para conseguir o
licenciamento é tão grande que vi muitos colegas desistirem do ramo. Essa
mudança vai incentivar os iniciantes a abrirem seus negócios e os veteranos a
ampliarem suas produções", diz Júnior. Ele está no ramo há mais de 15 anos e é o
responsável técnico por tanques rede em três propriedades, em Itabaracá, no
Norte Pioneiro.
O piscicultor Jefferson Osipi, gerente da Câmara
Setorial de Piscicultura do Paraná, já foi multado. "Sei o quanto é importante
podermos trabalhar seguros, sem o medo de uma punição". Ele recebeu a primeira
licença ambiental para piscicultura do Brasil, há 10 anos. Para o médico
veterinário da Adapar e piscicultor, Roberto Moreira, a resolução ajuda a
desburocratizar e melhorar a produção.
A nova medida ainda vai facilitar o acesso dos
piscicultores a linhas especiais de crédito. "O Plano Safra de Aquicultura, por
exemplo, é um projeto sensacional, mas que se não viesse acompanhado de ações
como esta do governo estadual para diminuir a burocracia, atenderia uma
quantidade muito pequena de produtores paranaenses, pois a maioria esbarraria na
necessidade de apresentar licença ambiental".
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